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Dizer que bandido bom é bandido morto é um tiro na cara da sociedade

Na última semana, circulou pelas redes sociais fotos e vídeos de assaltantes de bancos mortos por policiais, tudo isso aconteceu numa pequena e pacata cidade do Ceará, aterrorizando os moradores. Requintes de Tropa de Elite na vida real. E se parece uma mera coincidência, não é, tanto pelo enredo, quanto pela aceitação do público quiteriense, que pareceu se divertir com as imagens de homens carregados como animais caçados, corpos espedaçados e rostos fuzilados, nunca a morte foi tão banalizada. Professores, assistentes sociais, mídia, estudantes universitários, cristãos e não cristãos, pais e jovens, uníssono, curtiam, compartilhavam e comentavam: bandido bom é bandido morto!
A máxima imortalizada pelo Capitão Nascimento nunca esteve tão em moda, mas e quando o bandido não é assim tão diferente da gente, será que bandido bom continua a ser bandido morto?
E se o bandido fosse quiteriense? Ex-secretários municipais ficha-suja por desvio de verbas públicas? Ex-vereadores ficha-suja por improbidade administrativa? E se o bandido fosse ex-prefeitos condenados por corrupção e por desaprovação nas contas? E se fosse nossos cônjuges? Se o bandido fosse nosso irmão, pai ou mãe?
Mas entendo completamente as pessoas que pulam quando veem na TV, nas redes sociais e sites, o sangue dos bandidos espirrando pra fora de seus corpos. Pois é fácil dizer bandido bom é bandido morto, isto está consagrado no senso comum para bandido pobre, quero ver ter coragem de defender cadeia e morte para milhares de bandidos que estão no Executivo, no Legislativo e no judiciário!
O discurso de “bandido bom é bandido morto” é tão mesquinho e pobre intelectualmente que beira a sociopatia, além de uma tremenda contradição de quem se diz “defensor da paz”. Imaginemos que a polícia começasse a matar todos os bandidos, o adolescente com apenas 12 anos, ao cometer um crime, seria fuzilado simplesmente. Pode até aparecer desumano, mas resolveria o problema carcerário. Não é genial? Não, é uma tremenda estupidez.
Antes que alguém diga que estou defendo bandido, afirmo que sou a favor dos Direitos Humanos sim, para todos, inclusive Policiais, não aceito a barbárie, acredito na prisão, no direito de defesa e do contraditório, na absolvição ou condenação e na pena para ressocialização.
Escutei e li vários comentários desses a respeito das mortes dos bandidos: “Tem que bater em bandido sim”. “Tem que matar esses vagabundos, e enterrar de pé pra não ocupar espaço.” Nenhuma reflexão, nenhum questionamento. O trabalho da Polícia é sustentado por uma boa parcela de
cidadãos, os famosos “cidadãos de bem”, que são os primeiros a criticar a corrupção, a não aguentar roubalheiras, estão sempre de acordo com as leis, mas sofrem de um caráter escuso, de uma moralidade fraca, que apesar de sua debilidade, é quase unanimidade no pensamento coletivo do Brasil.
Os brasileiros de bem não gostam de discutir política, gostam mesmo é de ver sangue, gostam de ver a violência como forma de vingança por todas as mazelas com as quais sofrem, advindas de um país desigual, mas quem fabrica a desigualdade por aqui, são eles próprios. É classe média dos muros, dos vidros fechados, da admiração à Rota e ao Linha Dura.
Enquanto opiniões vazias, preenchidas com ódio e preconceito forem aceitas como “normais” nos debates políticos, imagens como essas continuarão a circular como forma de entretenimento e não como fontes de debates sobre como evitar situações similares e como atacar a raiz do problema, como evitar que jovens peguem em armas para assaltar bancos.
Bandido bom, é bandido morto? Responda e justifique sua resposta, Lembrando que você pode comentar com sua conta facebook. 
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